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terça-feira, 20 de junho de 2017

... InsPIRANDO ...


Protegê-los de tudo

A Aurora estava correndo com os bracinhos abertos, os olhinhos fechados, e você sabe o que acontece quando corremos de olhos fechados. A Aurora tropeçou e caiu e ralou os joelhos e as mãos, e foi aquela gritaria, calma calma não foi nada, vem colo, uaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, calma calma, deixa eu passar uma aguinha.
No meio do soluço ela confessou que corria de braços abertos pra tentar voar.
- "Eu queria voar junto com os passarinhos", disse ela, toda machucada e frustrada. 
Esses machucados que doem mais na gente do que neles. A ingenuidade das crianças dói na gente.
O filho de um amigo meu descobriu sobre a morte. Com lágrimas nos olhos perguntou: 
- "Pai, tudo morre?". Meu amigo respondeu que tudo. "Mas eu não quero morrer, pai". 
- Quem brinca muito, não morre, disse meu amigo. 
O menino abriu um sorriso, ia correndo para o pátio. Parou e disse:
- "Pai, amanhã você brinca comigo o dia todo?".
Essa pureza dói profundamente. Eles não sabem de nada. Da morte, da perda, da falta de bondade. Não sabem da ganância do homem, da passividade de quem pode e não ajuda os outros. Não sabem do homem que mata, do homem que rouba, do homem que sequestra e machuca. 
Dói na gente saber que eles não sabem de nada disso. Dói saber que um dia saberão. Dói saber que é impossível protegê-los pra sempre. De tudo.
Quero protegê-los de tudo.
Da morte. Da maldade. Da gravidade.
Voa entre os passarinhos, Aurora. Enquanto ainda é possível.

segunda-feira, 13 de março de 2017

... quem sabe????? ...


Receita da Felicidade
“Com poucos ingredientes que você encontrará em si mesmo.”

E se possuíssemos a receita para a felicidade? E se, tal qual um brigadeiro, pudéssemos concebê-la com a mistura de alguns ingredientes que, acrescidos de amor, carinho e paciência nos dessem um resultado tão doce quanto nossa sobremesa favorita?
Acreditamos que a felicidade está nos grandes eventos. Apesar de não estar claro para mim em que momento de nossas vidas passamos a acreditar nisso, é nítido que vemos felicidade como super acontecimentos – se consigo um ótimo emprego, estou feliz; se encontro o amor da minha vida, estou feliz; se compro uma casa nova, estou feliz; se faço aquela viagem que tanto queria, estou feliz. Além de depender desses super acontecimentos, costumamos enxergar a felicidade como uma coisa externa, algo que independe de nós.
Precisamos trazer para nós a responsabilidade de ser feliz. Entender de uma vez por todas que temos esse poder sobre nós mesmos. Por que não podemos ser felizes nas coisas simples? Quando comemos nossa comida preferida, ouvimos aquela música que nos faz querer dançar, jogamos papo fora com um amigo ou paramos para olhar o pôr do sol ou até mesmo as gotas molhando tudo ao nosso redor em um dia chuva. Se duvidas basta olhar ao seu redor. Acredite, você sempre encontrará algo que lhe faça sorrir.

“Precisamos trazer para nós a responsabilidade de ser feliz.”
Ah, ainda quer saber a minha receita? Preste bem atenção nos ingredientes e fique à vontade para exagerar na dose: uma colherada de brigadeiro (e às vezes a receita inteira, porque não?), ouvir All Night ou XO da Beyonce, até que o mundo pareça um lugar maravilhoso e tentar enxergar todas as cores do céu no pôr do sol de um dia qualquer.
Não sendo o bastante, como felicidade quando mais se divide, mais tem, deixo aqui a minha receita de brigadeiro. Aconselho que depois de pronto você coma tentando descobrir a sua música e o seu algo mais. O que acha?

Brigadeiro da Felicidade
. 1 lata de leite condensado
. 4 colheres (sopa) de chocolate em pó
. 1 colher (sopa) de manteiga
. Mexa tudo até desgrudar do fundo da panela.
Espere esfriar, ou não, o que lhe faça mais feliz!

*por Ana Carolina Bortolini 


sexta-feira, 3 de março de 2017

... para hoje, ontem e amanhã ..


A milenar arte de educar dos povos indígenas
                                                                                                              por Daniel Munduruku - Mãe e filho Caiapó, fotografia de Antônio Carlos Ferreira Banavita

Educar é dar sentido. É dar sentido ao nosso estar no mundo. Nossos corpos precisam desse sentido para se realizar plenamente. Mas também nossos corpos são vazios de imagens e elas precisam fazer parte da nossa mente para que possamos dar respostas ao que se nos apresenta diuturnamente como desafios da existência. É por isso que não basta dar alimento apenas ao corpo, é preciso também alimentar a alma, o espírito.
Sem comida o corpo enfraquece e sem sentido é a alma que se entrega ao vazio da existência.
A educação tradicional entre os povos indígenas se preocupa com esta tríplice necessidade: do corpo, da mente e do espírito. É uma preocupação que entende o corpo como algo prenhe de necessidades para poder se manter vivo.
Esta visão de educação é sustentada pela ideia de que cada ser humano precisa viver intensamente seu momento. A criança indígena é, então, provocada para ser radicalmente criança. Não se pergunta nunca a ela o que pretende ser quando crescer. Ela sabe que nada será se não viver plenamente seu ser infantil. Nada será por que já é. Não precisará esperar crescer para ser alguém. Para ela é apresentado o desafio de viver plenamente seu ser infantil para que depois, quando estiver vivendo outra fase da vida, não se sinta vazia de infância. A ela são oferecidas atividades educativas para que aprenda enquanto brinca e brinque enquanto aprende num processo contínuo que irá fazê-la perceber que tudo faz parte de uma grande teia que se une ao infinito.
Num mesmo movimento ela vai sendo introduzida no universo espiritual. Embalada pelas histórias contadas pelos velhos da aldeia, a criança e o jovem passam a perceber que em seu corpo moram os sentidos da existência. Este sentido é oferecido pela memória ancestral concentrada nos velhos contadores de histórias. São eles que atualizam o passado e o fazem se encontrar com o presente mostrando à comunidade a presença do saber imemorial capaz de dar sentido ao estar no mundo.
Este processo todo é alimentado por rituais que lembram o passado para significar o presente. São movimentos corpóreos embalados por cantos e danças repetidos muitas vezes com o objetivo de “manter o céu suspenso”. A dança lembra a necessidade de sermos gratos aos espíritos criadores; contam que precisamos de sentidos para viver dignamente; ordena a existência. Cada grupo de idade ritualiza a seu modo. Cada um se sente responsável pelo todo, pela unidade, pela continuidade social.
Educar é, portanto, envolver. É revelar. É significar. É mostrar os sentidos da existência. É dar presente. E não acaba quando a pessoa se “forma”. Não existe formatura. Quem vive o presente está sempre em processo.
É por isso que a criança será sempre criança. Plenamente criança. Essa é a garantia de que o jovem será jovem no seu momento. O homem adulto viverá sua fase de vida sem saudades da infância, pois ele a viveu plenamente. O mesmo diga-se dos velhos. O que cada um traz dentro de si é a alegria e as dores que viveram em cada momento. Isso não se apaga de dentro deles, mas é o que os mantém ligados ao agora.
Resumo da ópera: A educação tradicional indígena tem dado certo. As pessoas se sentem completas quando percebem que a completude só é possível num contexto social, coletivo. Cada fase porque passa um indígena – desde a mais tenra idade – alimenta um olhar para o todo, pois o conhecimento que aprendem e vivem é um saber holístico que não se desdobra em mil especialidades, mas compreende o humano como uma unidade integrada a um Todo maior e Único.
Olhar os povos indígenas brasileiros a partir de uma visão rasa de produção, de consumo, de riqueza e pobreza é, no mínimo, esvaziar os sentidos que buscam para si.
(Pensar Contemporâneo)




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

... ahhhh ser uma árvore ...

Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
sol, de céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo
mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus.
Seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor o azul.
E descobriu que uma casca vazia de cigarra esquecida
no tronco das árvores só serve pra poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.
Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara,
envaidecia-se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros
E tinha ciúmes da brancura que os lírios deixavam nos brejos.
Meu irmão agradecia a Deus aquela permanência em árvore
porque fez amizade com muitas borboletas.
Árvore - Manoel de Barros 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

DICA DE HOJE: ...AMADOS AMORES!!! ...

100 Maneiras ...

4 - Passe tempo com amigos verdadeiros – 
Encontre amigos que se alinham com quem você é, suas crenças e seus valores, irá torná-lo mais consciente. 
Estes são os seus verdadeiros amigos, e embora possam ser difíceis de encontrar, eles devem definitivamente ser valorizados. 
Telefone a alguns dos seus verdadeiros amigos e torne um hábito ao passar mais tempo com eles.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

DICA DE HOJE: ... CHEGOU A PRIMAVERA!!! ...

Árvore 

Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
sol, de céu e de lua mais do que na escola.


No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo mais do que os padres lhes ensinavam no internato.

Aprendeu com a natureza o perfume de Deus.
Seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor o azul.
E descobriu que uma casca vazia de cigarra esquecida no tronco das árvores só serve pra poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.
Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara,
envaidecia-se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros
E tinha ciúmes da brancura que os lírios deixavam nos brejos.
Meu irmão agradecia a Deus aquela permanência em árvore
porque fez amizade com muitas borboletas.

terça-feira, 7 de junho de 2016

DICA DE HOJE: ... (des)aprendendo todos os dias ...

O livro sobre nada (Manoel de Barros)

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

DICA DE HOJE: ... É HOJE!! ...


A milenar arte de educar dos povos indígenas
Por Daniel Munduruku · Lorena (SP) · 15/5/2009

Educar é dar sentido. 
É dar sentido ao nosso estar no mundo. Nossos corpos precisam desse sentido para se realizar plenamente. 
Mas também nossos corpos são vazios de imagens e elas precisam fazer parte da nossa mente para que possamos dar respostas ao que se nos apresenta diuturnamente como desafios da existência. 
É por isso que não basta dar alimento apenas ao corpo, é preciso também alimentar a alma, o espírito. Sem comida o corpo enfraquece e sem sentido é a alma que se entrega ao vazio da existência.
A educação tradicional entre os povos indígenas se preocupa com esta tríplice necessidade: do corpo, da mente e do espírito. É uma preocupação que entende o corpo como algo prenhe de necessidades para poder se manter vivo.
Esta visão de educação é sustentada pela ideia de que cada ser humano precisa viver intensamente seu momento. 
A criança indígena é, então, provocada para ser radicalmente criança. Não se pergunta nunca a ela o que pretende ser quando crescer. Ela sabe que nada será se não viver plenamente seu ser infantil. Nada será por que já é. Não precisará esperar crescer para ser alguém. Para ela é apresentado o desafio de viver plenamente seu ser infantil para que depois, quando estiver vivendo outra fase da vida, não se sinta vazia de infância. A ela são oferecidas atividades educativas para que aprenda enquanto brinca e brinque enquanto aprende num processo contínuo que irá fazê-la perceber que tudo faz parte de uma grande teia que se une ao infinito.
Num mesmo movimento ela vai sendo introduzida no universo espiritual. Embalada pelas histórias contadas pelos velhos da aldeia, a criança e o jovem passam a perceber que em seu corpo moram os sentidos da existência. Este sentido é oferecido pela memória ancestral concentrada nos velhos contadores de histórias. São eles que atualizam o passado e o fazem se encontrar com o presente mostrando à comunidade a presença do saber imemorial capaz de dar sentido ao estar no mundo.
Este processo todo é alimentado por rituais que lembram o passado para significar o presente. São movimentos corpóreos embalados por cantos e danças repetidos muitas vezes com o objetivo de “manter o céu suspenso”. A dança lembra a necessidade de sermos gratos aos espíritos criadores; contam que precisamos de sentidos para viver dignamente; ordena a existência. Cada grupo de idade ritualiza a seu modo. Cada um se sente responsável pelo todo, pela unidade, pela continuidade social.
Educar é, portanto, envolver. É revelar. É significar. É mostrar os sentidos da existência. É dar presente. E não acaba quando a pessoa se “forma”. Não existe formatura. Quem vive o presente está sempre em processo.
É por isso que a criança será sempre criança. Plenamente criança. Essa é a garantia de que o jovem será jovem no seu momento. O homem adulto viverá sua fase de vida sem saudades da infância, pois ele a viveu plenamente. O mesmo diga-se dos velhos. O que cada um traz dentro de si é a alegria e as dores que viveram em cada momento. Isso não se apaga de dentro deles, mas é o que os mantém ligados ao agora.
Resumo da ópera: 
A educação tradicional indígena tem dado certo. As pessoas se sentem completas quando percebem que a completude só é possível num contexto social, coletivo. Cada fase porque passa um indígena – desde a mais tenra idade – alimenta um olhar para o todo, pois o conhecimento que aprendem e vivem é um saber holístico que não se desdobra em mil especialidades, mas compreende o humano como uma unidade integrada a um Todo maior e Único.
Olhar os povos indígenas brasileiros a partir de uma visão rasa de produção, de consumo, de riqueza e pobreza é, no mínimo, esvaziar os sentidos que buscam para si.






quarta-feira, 27 de abril de 2016

DICA DE HOJE: ... a amizade ...



Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

(Machado de Assis)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

DICA DE HOJE: revigorar rima com acreditar??????

[...] Ultimamente tenho perdido muita dessas coisas por estar atentamente ligado ao meu futuro. 
Quero ter tempo pra fazer algo bom sem estar tão cansado, ver um filme bom sem perder a paciência, ou simplesmente apagar todas as luzes da casa e ouvir uma boa música. 
Preciso esquecer mais o futuro esquecer as cobranças que eu mesmo me carrego ou que a sociedade coloca em mim. 
Vendo essas pessoas se divertindo aos seus modos sem se preocupar com o futuro, como crianças...
Me faz lembrar que essa vida de adulto realmente é uma merda. 
Essa correria frenética tem me tomado o que pra mim sempre foi uma das coisas mais preciosas: o bom, velho e subestimado ócio! 
que saudade...
(erick child)

... e cá estamos ...

... no segundo dia ... do décimo nono ano do século vinte e um! Sejamos Felizes!